14 de jan. de 2015

I've become so numb

Sabe aquelas pessoas que passaram por sua vida, causaram turbulências, cicatrizes, ansiedades, momentos bons mas os ruins são os que você mais lembra? E suas vidas começam a seguir rumos diferentes e vocês se distanciam, então você fica muitíssimo feliz porque agora está live, pode ser quem realmente você é, com amigos de verdade porque agora você cresceu o suficiente para escolhê-los a dedo e dizer "não" as pessoas, a até mesmo conseguir essa proeza de se distanciar dessas ervas daninhas porque elas só lhe causavam o mal. E de repente elas voltam na sua vida, abalando tudo, mesmo que por segundos, e faz você se lembrar daquilo que você não queria, daquilo que já tinha superado, já tinha guardado bem lá no fundo do peito. Mas elas voltam como se nada tivesse acontecido ou como se nada tivesse lhe causado, e por incrível que pareça (surgindo uma das grandes incógnitas da vida), essas são as únicas pessoas que permanecem do mesmo jeito, não mudam nadica de nada. As mesmas ações, os mesmo comentários mesquinhos, os mesmos - ou piores - julgamentos. "Você não tá namorando? Não? Credo (inserir risos de muito deboche aqui)." "Fulano casou, teve filho, outro fulano casou também e você?" "Você não está trabalhando?" "Mas tá ficando com alguém?" "Com que você tá morando?" "Como está a faculdade?" e aí você começa a responder e elas mudam de assunto e você fica no vácuo, porque obviamente aquilo ali não importa nada e nem elas sabem porque perguntaram da sua vida. E então voltam para as perguntas toscas "Tá gostando de alguém?" "E os meninos da faculdade? Como são?" "Você não quer casar, Thais?". Como se tudo isso fosse mais importante do que qualquer coisa na vida, como se o mundo girasse em torno dos homens - ou melhor, do fato da mulher precisa ter sempre um homem em sua vida - e como se fosse uma obrigação todo mundo ter um namorado, casar e etc. Você se torna um alien por não encaixar em tais padrões mesquinhos. E eu realmente não sei o que mais me irrita: se são tais padrões ou a falsidade das pessoas, tentando se importar com sua vida e fazendo perguntinhas estúpidas com o menor interesse - bem, na verdade o interesse aqui é rir na sua cara e depois zombar de você pelas costas. Porque você pode conversar de tudo com a pessoa, contar como está realmente a faculdade, como são seus professores, amigos, casos de raiva que você passou por trabalhos difíceis, como você quase vendeu a alma para não pegar exames, mas elas não vão se lembrar, elas vão lembrar daquelas perguntinhas que fizeram no meio de um papo e outro. Ou então vão jogar na sua cara hoje coisas de anos atrás como "Lembra como você era apaixonada pelo Mike Shinoda?", como se eu não pudesse gostar de mais ninguém na face da Terra ou o fato de ter um ídolo nos meus 14 anos fosse algo anormal.
E são essas coisas, essas aparições repentinas é que me fazem lembrar o quanto a letra de Numb do Linkin Park fazia - e ainda faz - o maior sentido.
"I'm tired of being what you want me to be. Feeling so faithless, lost under the surface"
Ainda sinto vontade de gritar para essas pessoas "Can't you see that you're smothering me?". Sabe, hoje eu consigo ser "more like me and be less like you". Eu cresci, psicologicamente, mentalmente, biologicamente, etc etc e fico feliz por saber que posso ser o que eu realmente quiser, posso ter ou não um namorado que isso não vai fazer diferença nenhuma, posso ter mil ídolos, posso me apaixonar por um filme, por uma banda, por um ator e não ter problema algum. Posso me apaixonar por uma música e viver só dela. Posso me apaixonar por um livro, um por do sol, uma chuva e ser feliz. Posso ser menina e amar meu time de futebol mais do que minhas amigas. Não esconder meus gostos e não ter medo de mostrá-los se tornou uma das coisas mais importantes que a vida me ensinou quando me distanciei dessas pessoas. Eu precisei ser eu, eu mesma e mais ninguém. Eu posso me orgulhar de ter amigos homens, amigos mesmo, de verdade, de levar nossos momentos pra sempre comigo, e dizer que ele não gostava de mim como uma garota, como algumas pessoas se orgulham em dizer. Prefiro dizer que o conheci melhor que muitos e recebi uma amizade incrível em retorno. Prefiro me orgulhar de dizer que conheci realmente as pessoas, pela essência delas e que não sai julgando pelas aparências ou que escolhi pessoas a dedo pelo menos motivo.


Então, não. Não estou namorando. E isso não lhe interessa, caralho! Assim como nada da minha vida lhe interessa mais. Não quero mais rever essas pessoas e vou inventar até a morte dos meus cachorros se for preciso para que isso não aconteça de novo. Por que diabos as pessoas continuam achando que sou amiga delas? Que nada mudou? Enfim, amiguinhas, eu só queria dizer que "I know, I may end up failing too, but I know you were just like me with someone disappointed in you".
Posso não me dar tão bem na vida como vocês (mas é que a vida é bem filha da puta quando se trata dos oprimidos haha), mas eu não sou melhor que ninguém e muito menos vocês, vale reforçar. Queria tentar enfiar na cabeça das pessoas isso, mas não adianta, não é mesmo? Enfim, fica o recadinho pras inimigas e o desabafo pras amigas.

Um comentário:

  1. Nossa, conheço bem esse tipo de gente que faz questão de esfregar na sua cara que a vida delas está melhor que a sua. Eu sempre procuro evitar esse tipo de gente, na verdade não tenho contato com praticamente ninguém com quem eu estudava. Então meio que isso não acontece comigo. HAHA, mas sei lá, eu sou estranha mesmo. E as pessoas são assim mesmo, e ultimamente eu sempre procuro excluir da minha vida, aquilo que não me faz bem. Adorei o seu texto. beijus :*

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