2 de jan. de 2015

Nós existimos

Bota o play aí: "We Exist - Arcade Fire"

Depois de soluçar assistindo The Judge (aliás, super indicação aí pra você que não está fazendo nada e quer passar 2h20min com Robert Downey Jr.), comecei a ouvir essa banda foda e maravilhosa e claro, como sempre, me deixou nostálgica. Comecei a pensar na vida (o filme já tinha começado com esse trabalho), naquelas perguntas de crianças de 7 aninhos - "Por que o céu azul?" -, e aí como eu já estava com saudade disso aqui e com milhões de ideias de posts, resolvi voltar. Até porque não existe lugar melhor para colocar indagações da vida e ninguém se incomodar com elas.
Todo fim de ano vem turbulência atrás de outra, mexe contigo, com sua mente, com tudo. E eu ando percebendo como a vida anda passando tão rápido e pior, esse é aquele papo de tia que chega pra criança e fala "nossa, como você cresceu". Eu estou me tornando uma dessas pessoas. Não estou velha velha mas estou velha, se é que me entende. Eu paro pra ficar pensando qual é o objetivo da vida, por que devemos seguir uma linha reta e não podemos desviar do caminho? Por que temos que nascer, ser uma criança, adolescente, virar um adulto chato com doenças, preocupações, temos que estudar e estudar pra poder trabalhar e ganhar dinheiro (tudo sempre em volta dessa desgraça). Temos que casar, montar sua própria família para que você não morra sozinha rodeada de gatos ou cachorros. Temos que ser filhos, irmãos, tios, pais, avós. Mas e se eu não quiser? Se eu quiser fugir um pouquinho disso tudo? Se eu quiser ir por um atalho ou fazer uma curva nessa linha reta? Afinal, qual é o objetivo disso tudo? Qual? Você vive. Ou melhor: simplesmente sobrevive. Mas como já dizia o Arcade Fire: Nós existimos! São conceitos diferentes pra mim e pra muitos. Eu não quero que minha vida aqui seja uma mera vida, crescendo, trabalhando, criando uma família e morrendo. Fim. Ponto final. De certa forma, tenho até medo. Porque eu não sei o que vem depois, eu quero aproveitar o que tenho agora. Parece bobeira ou clichê dizer "quero aproveitar a vida ao máximo". Mas não é só aproveitar saindo pra balada, se divertindo enquanto bebe, fuma ou experimenta de tudo e mais um pouco, tem relações com várias pessoas, etc (não que eu tenha problemas com quem faz tudo isso, pelo contrário, cada um faz o que quer, ninguém está me atrapalhando mesmo). Não! Eu só quero, quando chegar nos meus últimos dias, poder olhar para trás e percebe o que eu fiz, que eu fiz algo bom, que eu deixei que as pessoas me conhecessem ou conhecesse meu trabalho, lembrar que marquei a vida de alguém (de uma forma boa, claro), quero olhar e perceber que consegui me descobrir inúmeras vezes, que conheci lugares, que conheci pessoas diferentes em lugares diferentes, em shows diferentes, que eu possa a ir tais shows, ter essas experiências, que meu trabalho tenha afetado a vida ou a visão de alguém sobre tal assunto. Quero olhar para trás e me sentir realizada. Quero existir. Mas parece que não estou caminhando, não estou fazendo nada da minha vida. "Olha, tenho 22 anos e ainda estou na faculdade, enquanto vários já estão casando, se formando, etc". Parece que eu só batalho, batalho e batalho e nunca chego lá, parece que não estou chegando a nenhum lugar, mas como Arcade Fire disse mais uma vez, é porque somos jovens.
Tudo parece como um sonho de uma menininha que não conhece o mundo e que não tem uma profissão que possa dar a ela tudo isso, mas o que importa é sonhar. Quem sabe essas realizações não venham do mais simples, do mundano.

"They walk in the room and stare right through you, talking like we don't exist. But we exist."

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